sexta-feira, 29 de junho de 2012

A raiz de todos os males

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Fui levar meu carro na oficina, uma pessoa amiga avariou um pouquinho meu popular 2007. Ao chegar lá e entregar as chaves ao dono da conceituada oficina do "Seco", em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, o mesmo falou que estava orando para ganhar um popular como o meu! Disse-lhe, brincando, que é carro de pobre e ele me perguntou com a peculiar sabedoria dos desbravadores sulistas o seguinte:
— Você se acha pobre? O que é riqueza para você?

Eu, meio sem jeito, lhe respondi que riqueza é felicidade, paz, alegria, amizade, etc...
Então, de bate-pronto ele vociferou:

— O dinheiro estraga o homem.

Pronto! a sabedoria popular foi encontrada ensinando o que alguns cristãos precisam saber!

"O dinheiro estraga o homem"... Bem que eu poderia ter passado a manhã sem essa lição! Mas saí de lá feliz, por saber que há muitas pedras clamando, nesse período de superficialidade teológica no seio da igreja cristã brasileira.

"A raiz de todos os males é o amor ao dinheiro", diz o apóstolo Paulo em I Tm 6.6-10. Até parece um exagero do apóstolo, mas tanto Paulo quanto o Seco, estão certos! O dinheiro, no texto, não é apenas moeda, mas representa o seu poder de barganha: satisfação de caprichos e vaidades, prazeres carnais, domínio, posse de bens sem limites, etc. Na busca dessas coisas, o dinheiro é imprescindível; então, amar essas coisas é amar ao dinheiro que possibilita adquiri-las.

O salmista diz: “Se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o vosso coração” (1); Jesus diz: “Não ajunteis tesouros na terra... porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”(2). O que se observa no mundo confirma tais afirmações. Pessoas inteligentes, possuidoras de algumas boas qualidades morais também acabam se corrompendo totalmente por causa do amor ao dinheiro e a tudo que o dinheiro pode proporcionar. Então cuidado! pois “tendo sustento e com que nos cobrir, estejamos com isso contentes”.

Caso alguns de nós enriqueça, não coloquemos na riqueza o nosso coração. Sejamos bons administradores e mordomos para a glória de Deus. Assim, estaremos juntando tesouros muito mais preciosos no Céu! (3).

Marco Aurélio Araújo Dias

(2) (3) Mt 6.19-21


domingo, 24 de junho de 2012

Armário antigo, Amor renovado

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armario velho
"...Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí". (Jeremias 31:3b)
 
Era um armário velho, encostado na garagem, sujeito à corrosão do tempo, servindo para acumular tranqueiras, desprezado, sem valor. Tudo o que não era muito estimado, colocávamos dentro dele. E o armário foi ficando cada vez mais entulhado, desgastado e de aspecto cada vez pior. Ninguém se importava com ele, nem com seu cuidado. E, como um abismo chama outro abismo, certo dia, o trambolho miserável tombara, tendo seus vidros estilhaçados. Ficara lastimável. Motivo de vergonha, foi colocado novamente em um canto e continuou seu destino rumo à deterioração.

Não havia nada nele que me atraísse, motivasse ou que o fizesse merecer minha afeição. Até que um dia, resolvi olhar para ele com um olhar benevolente, mas intencional. Passei a me preocupar com o seu estado e criei algumas expectativas sobre tudo o que ele poderia ser. Deixei de me resignar com o armário desvalorizado, elaborei um cronograma de mudanças e me entreguei ao seu projeto. Tirei seus entulhos, espanei, limpei, esfreguei, levei-o para dentro de casa, mas ainda precisaria de muito trato para fazer jus ao seu lugar.

O fato de dar-lhe importância, fez com que eu me sacrificasse, investindo tempo, dinheiro e muito trabalho. Tudo o que ele precisava era de um bom restaurador. Eu conseguia ver todas as suas imperfeições, tinha um modelo ideal em minha mente e, através da minha ação, eu o transformaria. Ele apenas se confiou aos meus cuidados enquanto me dediquei completamente em corrigi-lo, mudá-lo, executando tudo o que deliberei fazer.

Foi uma tarefa complexa, tive que ser longânime: Lixei, pintei, envernizei, coloquei vidros, espelhos, azulejos e: “Voilà”!
O armário nasceu outra vez e, agora, coberto de dignidade, parece olhar para mim, satisfeito, agradecido, porque me compadeci buscando o seu bem, me envolvi e me empenhei comprometidamente em sua mudança, resgatando o seu valor.

Agora, tenho ciúmes e exagero no cuidado, tudo o que acontece com ele é relevante para mim, pois passou de um armário sem apreço a objeto da minha afeição:

"Cuidado, não risque o armário."
"Não, não, não coloque nada em cima do armário."
"Não guarde nada velho no armário."
"Não toque no meu armário, por favor."

E eu ainda continuo zelando e adornando aquela peça útil e bela e, não só o preservarei como também, o usarei conforme as minhas pretensões. E qualquer pessoa que apreciá-lo, se voltará para mim em louvor.

A que compararei o amor de Deus?
"Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus". (Efésios 2:4-6)
 Ira Borges

 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Para onde iremos nós?

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Pão sem fermento
"Para onde iremos nós?"

Esta foi uma pergunta com resposta ao mesmo tempo formulada por Pedro: “...Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna...” João 6:68

Todo o contexto de João 6 é bem interessante e sobretudo desafiador. Jesus tinha multiplicado os pães; o relato diz que Jesus se afastou da multidão porque sabia que ela, ao presenciar e participar do milagre, tinha o intento de arrebatá-lo e proclamá-lo rei. Jesus sabia qual era seu propósito. Mais adiante Jesus diz: “...Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes…” João 6:26

O que acho muito interessante são as respostas de Jesus. Em muitas ocasiões perguntavam-lhe uma coisa e Jesus respondia outra. Na verdade, era o que realmente necessitava ser respondido:
“...Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou..." João 6:28-29
Perguntaram “o que fazer” e Jesus responde “o que é”. A obra de Deus NÃO é multiplicar o pão, NÃO é ser o realizador de desejos e demandas.

Em outra narrativa, Jesus “aperta o torniquete” em sua prosa, a ponto de até MUITOS DE SEUS DISCÍPULOS pararem de andar com Ele: “...Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele...” João 6:66
O evangelho água com açúcar, que prega que a intimidade com Deus nos torna herdeiros de toda sorte de benesses, é um evangelho falso e egocêntrico, quando leva o entendimento a sair do campo relacional e a se centrar no ‘ter' e não no ‘ser’. O discurso para os que realmente se comprometem a seguir com Jesus é duro: “...Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?...” João 6:60

Cabe a cada um a escolha, correr atrás do que satisfaz ou COMUNGAR de fato com a Palavra da reconciliação que nos foi confiada. O que é o Reino de Deus senão “Paz, Justiça e alegria no Espírito Santo”? Rom. 14:17

É priorizando viver servindo ao Rei do Reino que certamente teremos as demais coisas que necessitamos acrescentadas, compreendendo o que é realmente importante e quem é o Senhor. Ele é o Pai nós os filhos. Ele é Senhor nós os servos. Ele é DEUS, nós criados por amor.

Seguimos, servimos, amamos a Deus pelo pão, pelo milagre ou por ELE ter as PALAVRAS DA VIDA ETERNA?

Tony Sathler

domingo, 17 de junho de 2012

Por Amor

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As pessoas gostam de ouvir que Deus as ama do jeito que elas são.


Tempos atrás, Philip Yancey traduziu essa mensagem em uma frase semelhante a "Nada que você fizer ou deixar de fazer, mudará o quanto Deus te ama", resumindo, simplificando e facilitando o manuseio e a disseminação desta idéia de um modo bem sintonizado aos tempos atuais.

Trata-se de uma idéia verdadeira e perfeitamente coerente com as escrituras(1), mas boa parte do apelo dela está no potencial de fazer as pessoas sentirem que não precisam se mover de sua zona de conforto para que Deus as ame: "Ok, Deus me ama, e eu não mexi uma palha para isso acontecer" ou, "não preciso deixar de fazer o que faço para Deus me aceitar", ou "não preciso abrir mão disso para Deus me amar".

Mas, e quanto ao que diz respeito ao nosso amor por Deus? O que houve com o primeiro mandamento ensinado por Jesus? (Marcos 12:30)
Um relacionamento entre duas pessoas só pode ser completo quando o amor flui em mão dupla.

Jesus disse: "Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada...Quem não me ama não guarda as minhas palavras" (João 14:23).

Evidentemente que há uma condicionante aí: Quem não ama a Deus não guarda suas palavras; quem não guarda suas palavras, não o ama.

Quantos de nós podemos dizer que já abrimos mão de coisas que fazíamos, pensávamos, amávamos, por amor a Deus?
E quantos fariam isso — abrir mão — ao se depararem com uma situação de conflito de interesses onde uma escolha fosse inevitavelmente necessária?

Hamilton Furtado

(1) Rom. 8:35




sexta-feira, 15 de junho de 2012

Humildade

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A plateia estava lotada, era a primeira vez que eu participava de uma série de palestras de um preletor renomado. Tudo ia muito bem, até que no terceiro dia, ele abriu um bilhete, e disse que alguém havia discordado de uma interpretação que ele dera a um texto. A pessoa mencionada levantou-se e iniciou uma discussão. A tensão foi geral, ficamos perplexos com o confronto. Porém, com muito autocontrole e a voz mais mansa do mundo, aquele teólogo, mestre de línguas originais, disse assim:
- Realmente, no texto original, é o que quer dizer, mas eu não quero brigar por isso...
Imediatamente a discussão terminou, cessaram-se os murmurinhos e ele retomou a palavra.


Fiquei abismada! Aquilo era algo totalmente novo para mim, um homem com tanto conhecimento, se rebaixar diante de todos, não era o que eu esperava. Como podia ser? Eu era convertida há anos e tudo o que eu tinha ouvido até então era pastores e líderes que, sem querer demonstrar fraqueza, tentavam provar por a mais b a exatidão do seu ponto de vista, tomando certa glória para si. Após aquele dia, suas palestras passaram a ter um novo significado para mim...
...“outrossim, no trato de uns com os outros, cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte”... (1 Pedro 5:5-6)
Era o que aquele pastor havia feito. Sua humildade provinha da segurança de que ele estava certo e não precisava medir forças para persuadir ninguém. Sem palavras, Deus lhe concedeu maior graça e, convencendo a todos, ele fora exaltado.

Opondo-se ao orgulho, a humildade é uma virtude, que através do Espírito Santo precisa ser cultivada em nós. O orgulho é como a erva daninha, a humildade, é como as flores de um jardim; lutar para exterminar o orgulho para que a humildade floresça, é um exercício diário, e começa com um exame aguçado de si mesmo e arrependimento diante de Deus.

A humildade nos subjuga, corrige nossa ótica e nos leva a olhar para o nosso coração, expõe nossas fraquezas de forma até dolorosa, crucifica nosso ego e nos faz compreender o exemplo do mestre:
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. (Filipenses 6:2-8), para servir a pecadores como nós.
Ela nos dá uma percepção sincera do que realmente somos: criaturas débeis, incapazes de algo bom, que lutam contra o pecado, não para obter glória para si, mas para serem vasos úteis nas mãos do Senhor. Para isso Ele nos chamou, para que sendo esvaziados, Sua glória seja manifesta através de nós. Nada é para nós ou nosso. Ele nos atraiu, Ele consumou a obra da nossa salvação, Ele nos santifica, Ele nos capacita, em tudo Lhe somos devedores; e esse conhecimento de nós mesmos, à luz da palavra de Deus, nos mantém na dependência dEle, em eterna gratidão.  

Ao final da temporada, procurei aquele pastor para me aconselhar e, embora mal o conhecesse, sua atitude de humildade me deu segurança para fazê-lo. Minha vida tomou um rumo diferente, minha concepção distorcida de cristianismo mudou, passei a crescer no Senhor com consciência ativa de onde eu vim, do que Ele fez por mim, do que eu sou nEle, e de tudo o que Ele quer fazer em mim e através de mim.

No exercício da humildade, minha vida espiritual, até então estagnada, tornou-se dinâmica e frutificou. E embora seja difícil, é um caminho muito mais excelente.


Ira Borges


Sugestão de leitura:
Humildade, verdadeira grandeza - J. C. Mahaney. Disponível em e-book no site da Editora Fiel.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Valor das Coisas

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Uma vez uma mulher resolveu prestigiar Jesus dando um trato nos pés dele com um perfuminho de excepcional fineza. O vidrinho de 15ml estava em torno de 300 dólares na ocasião, coisa de madame mesmo.

Um pessoal lá que andava com Jesus, aqueles tipos que pensam em tudo na base de quantos cifrões vale cada coisa, de quanto vale cada pessoa, daqueles que não não dão nem bom dia se não for pra ganhar algo em troca, um desses tipos, chegado de Jesus, foi logo falando: "Por que a gente não vende esse troço aí e faz uma caridade"?

Seu discurso tentava dizer: "vou demonstrar aqui que sou um cara preocupado com meu próximo, que eu penso no bem comum, acima do individual". Nas entrelinhas, o que ele estava pensando era o seguinte: "Dinheiro é muito importante para ser desperdiçado com Jesus", ou ainda "Jesus não é esse cara que ele pensa que é pra desperdiçar recursos tão valiosos", ou ainda "Eu vou fazer Jesus e todos aqui verem que há formas mais moralmente aplaudíveis de se administrar esses recursos".

Mas, a resposta de Jesus, como sempre, colocou as coisas nos devidos lugares, quando ele simplesmente respondeu: 

"Deixem-na em paz, por que a estão perturbando? Ela praticou uma boa ação para comigo. Pois os pobres vocês sempre terão consigo, e poderão ajudá-los sempre que o desejarem. Mas a mim vocês nem sempre terão." Marcos 14:6-7  

Jesus, com esta resposta coloca sua pessoa como o centro de importância no episódio, para escândalo talvez de muitas pessoas que esperassem dele um comportamento mais adequado ao politicamente correto dos nossos tempos. Mas com isso ele está dizendo o seguinte: "Não coloquem nada como mais importante do que eu, nem o dinheiro, nem os pobres, nem a caridade, porque vcs estarão perdendo o foco daquilo que realmente dá o devido valor às atitudes que vocês tomam."

Hamilton Furtado
Publicado originalmente em Outramente. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Primeiro Amor

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Primeiro amor
...Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. Apocalipse 2:2-5

"TENHO, PORÉM, CONTRA TI QUE DEIXASTE O PRIMEIRO AMOR."

Muito poderia se falar sobre esta passagem, mas quero abordar poucas coisas.

Em muitos momentos, depois de maduros na fé, é comum diante de algumas atitudes dos mais novos, atribuirmos certos comportamentos ao fato de serem neófitos e, até intimamente, pensarmos: "Já fiz isto, já pensei assim, já tive este 'fogo', o amadurecimento fará com que ele fique CENTRADO."

Interessante perceber que o trabalho incessante, a paciência e até mesmo no confronto com o erro de muitos que se diziam mestres foi aprovado, mas algo aconteceu no caminho para a maturidade, algo se perdeu. Não se "desviou": o zelo na obra não foi negligenciado, não abandonou a Palavra, mas caiu, e torna-se necessário lembrar onde caiu, arrepender-se e voltar à prática das primeiras obras.

Que raios de prática pode ter um “guri” na fé, que nós os maduros não façamos de forma muito mais acertada? Nós, os maduros, temos mais conhecimento, experiência, somos mais centrados, menos afoitos, mais disciplinados, menos "almáticos". Pensando nestas coisas lembrei-me de outra passagem que, creio, me ajudou um pouco na compreensão.

...Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor...

Acredito que a “chave” está na própria passagem: LEMBRE, traga à memória.

Em minha razão imediata pensei: "Mas eu não caí!". Pensando um pouquinho mais, me questiono: "Não caí? Tropecei? Estou realmente em pé"? A verdade é: “...Quero trazer à memória o que pode me dar esperança...” (1).  E o que me dá esperança, se não o AMOR estampado, fruto da ira derramada no Calvário?

A primeira obra foi a minha rendição, a compreensão do AMOR infinito de DEUS e da minha total INCAPACIDADE de SER sem ELE, é o "ai de mim", e ter tido essa percepção ao ouvir o "VINDE A MIM". Praticar as primeiras obras é AMAR. Foi por AMOR, exclusivamente por AMOR que TUDO o que foi feito se fez.

Que Deus nos ajude a voltar SEMPRE ao seu regaço.

Tony Sathler

(1)Lamentações 3:21)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Orgulho

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Certa vez ouvi de um pastor renomado, que uma das coisas mais difíceis é viver em um país onde as pessoas não precisam de Deus. Durante muito tempo pensei em suas palavras e, posteriormente, achei que foram muito bem exemplificadas na oração de Bart Simpson:
"Deus, meus pais trabalharam, meus pais compraram, meus pais fizeram, obrigado por nada."
Talvez seja este o protótipo do homem que não precisa de Deus e tem adotado o orgulho como filosofia de vida: "Vivo pela minha própria força, em função de mim mesmo e sou para mim o meu próprio deus". O orgulho é um conceito sobremodo elevado de si mesmo que tem distanciado o homem de Deus, fazendo-o acreditar que pode conduzir sua vida longe da Sua dependência e cuidado; faz parte da nossa essência e é algo contra o que todos temos que lutar diariamente.

Sob a forma de altivez, arrogância, autoestima elevada, egoísmo, exaltação própria, ostentação, prepotência, presunção, superioridade, vaidade, vanglória, etc..., o orgulho é fortemente incentivado pela nossa sociedade, desde que nascemos. Em tudo aprendemos a nos orgulhar. Orgulhamo-nos da nossa aparência, casa, carro, círculo de amigos, cultura, denominação, diploma, educação, emprego, filhos, linhagem, realizações, status, talentos, time; a lista é interminável. 

Não que haja algum erro em nos sentirmos satisfeitos com tudo o que temos alcançado, somos abençoados quando estamos plantados junto a ribeiros de água, porém, se começarmos a acreditar que somos superiores aos outros por tudo o que conquistamos e somos, ultrapassamos a linha da dependência exclusiva de Deus, colocamos as pessoas em um patamar inferior ao nosso e pecamos. Não há mérito algum em nós.

Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebestes, porque te glorias, como se não o houveras recebido? (ICor 4:7)

Toda a boa dádiva e todo dom perfeito vem do Alto, descendo Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação. (Tg 1:17)

Tudo vem de Deus, nossos talentos, assim como, nossa capacidade de realização. E isto o homem orgulhoso não pode compreender, porque só tem olhos para si. Há muitos casos na Bíblia, que relatam a desgraça que sobreveio àqueles que trilharam o caminho da soberba. Assim Deus abate a todo o que se exalta, tamanha a sua presunção. Um dos que mais me impressionam, é o de Nabucodonosor, que mesmo sendo advertido por Daniel, não reconheceu sua prepotência e foi imediatamente subjugado por Deus.

Todos conhecemos histórias de homens, impérios e ministérios que ruíram devido à soberba. Mas porque o orgulho é um mal que nos acompanha? Porque teve sua origem em Satanás, quando sua perfeição o levou a desejar ser semelhante ao Altíssimo, foi o mesmo desejo que levou Adão a pecar e passou a ser a raiz de todo pecado; nós o herdamos, faz parte da nossa natureza decaída, está arraigado ao nosso coração.

É muito interessante observar as advertências de abatimento, castigo, desonra, destruição, queda, vergonha, que a Bíblia apresenta como consequência logo após declarações de orgulho:

E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. (Is 14:13-15)

A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. (Prv 16:18)
 
Abominação é ao SENHOR todo o altivo de coração; não ficará impune mesmo de mãos postas. (Prv 16:5)

O orgulho encabeça a lista dos pecados que Deus odeia:

Estas seis coisas o SENHOR odeia, e a sétima a sua alma abomina: Olhos altivos... (Prv 6:16-17)

Opondo-se ao negue a si mesmo, como exemplo da obra de Nosso Senhor Jesus Cristo, o orgulho é um laço de destruição que cega o entendimento de todos os que dele se alimentam, os impedindo de se reconhecerem como seres incapazes, que precisam desesperadamente de Deus para dirigir suas vidas e os levarem à salvação.

Para os cristãos, o orgulho é um pecado que fere o nosso próximo, e retarda a obra da santificação, impedindo de nos espelharmos no caráter de Jesus Cristo de modo a permitir que o Espírito Santo opere mudanças significativas em nós, para que, servindo aos homens, sejamos úteis em uma vida produtiva que glorifique a Deus.

Após meditar sobre o orgulho, compreendi o significado das palavras daquele pastor e vejo que não estamos imunes de sermos vencidos por ele. Penso também, que se estivesse à mesa durante a oração de Bart Simpson, eu encontraria resposta na Palavra do próprio Deus.

E você?

(O pastor referido, hoje desenvolve um trabalho missionário na África.)

Ira Borges