terça-feira, 10 de julho de 2012

Saudades...

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Como é difícil sentir saudades, saudades de um tempo bom, de pessoas queridas distantes ou daqueles que não voltarão mais. Como é difícil sentir saudades, e prosseguir desatando os laços que nos uniam aos que se foram cujas impressões ficarão em nossas almas para sempre. Como é difícil sentir saudades, seja causada por recordações singelas ou por separações difíceis, contrárias ao nosso querer.
Como é difícil sentir saudades, esse sentimento de perda e desamparo que, contrariando o bom senso e a razão, arranca um pedaço de você. Como é difícil sentir saudades, nem mesmo o maior dos apóstolos pôde evitar angustiar-se, pela dor da ausência dos que ele queria bem.
“Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo.” (Filipenses 1:8)
Quando penso em saudades, o relacionamento que havia entre Jesus e os Seus discípulos é a melhor ilustração que vem à minha mente. Eles viveram ao lado de Jesus de forma genuína. Foram priorizados e chamados de amigos. Tinham uma convivência perfeita, se expressavam de maneira aberta e aceitavam ouvir as palavras certas, nas horas certas, de exortação e encorajamento. Desfrutaram do privilégio de, por três anos, aprender com Ele. Jesus fez questão da companhia deles para andar junto, pescar junto, viajar junto, orar junto, comer junto, descansar junto, trabalhar junto, ter momentos de íntima comunhão; até que um dia, foram separados abruptamente...
“... tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar.” (Eclesiastes 3:5b)
Os discípulos estavam profundamente apegados a Jesus quando a hora da separação chegou. Eles ficaram completamente abalados com a ideia da partida do melhor amigo e, dali por diante, teriam que viver de esperança.
“...Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará?” (Romanos 8:24b)
Não mais estariam com Jesus fisicamente, mas Ele lhes prometeu preparar um lugar junto ao Pai. E, antevendo a dor lancinante que a separação causaria, Jesus os confortou com a promessa de um Consolador.
“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.” (João 14:16-17)
Como é difícil sentir saudades, e ter que nos separar de pessoas às quais nos afeiçoamos, mas é assim que amenizamos o sofrimento em períodos de ausência, vislumbrando o tempo de abraçar outra vez. Os momentos de aflição não nos são indiferentes, mas as promessas de Deus são um alento para as nossas almas e nos inundam com a Sua paz. Não vivemos como os que não têm esperança e, como cristãos, gozamos do privilégio de sermos confortados pelo Espírito de Deus. É nesse porto que estamos ancorados, Ele não nos deixa naufragar no mar do abatimento. Sabemos que, um dia, voltaremos a conviver com aqueles que amamos, haverá a alegria do reencontro, ainda que seja na eternidade.

"Há perdas irreparáveis, pessoas insubstituíveis e amigos inesquecíveis."

Ira Borges
 

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