quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Voltemos à Bíblia

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Lembro-me de quando o papa, através do lançamento de um livro seu pouco antes de renunciar, afirmou a veracidade da declaração bíblica de que o nascimento virginal de Jesus Cristo “não é um mito, mas uma verdade”. Trata-se, realmente, de um fundamento da fé cristã e nada há de questionável nesta declaração sob este ponto-de-vista. O que me chamou atenção na época foi isso ter se tornado notícia.

Cristianismo, hoje, é só o pano de fundo cultural em que vivem muitos dos cristãos atuais, dado o distanciamento entre seu modo de vida e concepção de mundo e as bases da fé que deveriam conhecer. Sendo assim, não é de surpreender que, de vez em quando, alguns conceitos bíblicos e princípios da fé cristã tenham que ser resgatados e reafirmados pelo simples fato de que muitos cristãos simplesmente não se lembram mais, ou sequer ouviram falar alguma vez na vida, ou talvez nunca tenham acreditado realmente neles e, por isso, soem como novidade.


É claro que o simples fato do papa, ou outro líder qualquer, dizer alguma coisa biblicamente fundamentada não significa necessariamente que ele será ouvido, mas muitos cristãos, à medida que se distanciam da leitura da Bíblia, passaram a ter na figura de alguns representantes, as informações que poderiam ter em primeira mão se consultassem diretamente da fonte.

Importante é observar que esta prática, longe de ser exclusividade do mundo cristão católico, tem cada vez mais se disseminado entre todos os tipos de crentes, sejam de fé protestante, reformada, evangélica, pentecostal, neopenteca, gospel ou como preferirem ser rotulados hoje.

Vemos crentes, de um modo geral, se alimentando de uma maneira quase exclusiva do que ouvem ou leem de pregadores e palestrantes, conhecidos ou não, em blogs, textos ou vídeos Internet afora. O que acabam recebendo é uma mensagem mastigada, já digerida, fácil de assimilar, de preferência com o selo de aprovação, a "grife", de algum autor famoso, mas também filtrada e resumida de acordo com as preferências e prioridades daquele pregador.

Não raro, porém, o conteúdo que esses canais oferecem é um discurso meramente opinativo, enviesado ideologicamente e sem nenhum embasamento em referências nas Escrituras ou até mesmo contrário a elas. A ênfase na referência Bíblica, entretanto, tem sido classificada por alguns segmentos com o rótulo pejorativo de “fundamentalismo”, ou ainda pior, “bibliolatria”. "Não se deve ser tão rigoroso na aplicação da Bíblia pura em tempos onde temos acesso a tanta informação de ótima procedência", dizem em tom de falsa tolerância.


Relativizar a mensagem bíblica não é uma prática nova, o que muda são as táticas de como fazê-lo. Um pregador famoso chega a dizer que ele relativiza a interpretação da Bíblia a partir da revelação de Jesus Cristo. Ótimo. A não ser pelo fato que ele evita enfatizar de que o conhecimento que temos de Jesus nos é dado justamente pela Bíblia. É a Escritura que nos revela a centralidade histórica, espiritual e universal da figura de Jesus.

 
Abrir mão das Escrituras como referencial, é algo arriscado. É desta forma que o humanismo e outros ismos centrados na vontade do homem e não na pessoa de Jesus encontram portas para se infiltrar na Igreja de Cristo, roubando do autêntico Evangelho a esperança transformadora que só ele tem poder para oferecer. Sem sabermos o que é o verdadeiro Evangelho, podemos ficar à mercê de qualquer discurso que tente se passar por ele. E olha que são muitos.

Voltemos à Bíblia.


Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. 2 Timóteo 4:3-4


Hamilton Furtado