segunda-feira, 20 de abril de 2015

Frustrada

......

Não chega a ser decepção porque não houve ação.
E talvez justamente por isso, isso despertou.

Esse final de semana, fui a uma conferencia insana.
Vários caras muito loucos pregando e tocando e falando de um Deus grande e misterioso.
Com uma paixão, com um amor, com uma sinceridade e um conhecimento absurdo.

Me frustrei, por ver quão pouco eu conheço esse Deus.

Músicas com letras profundas, palavras com conteúdo constrangedor (no sentindo de amor e ação!) e as pessoas sendo despertadas e movidas por compaixão, pela graça e pelo amor.

Me frustrei, por ver o quão banal esse discurso se tornou pra mim.

Pregações que nos lançavam, nos diziam que precisamos sair das 4 paredes e invadir esse mundo louco pelos valores invertidos, que nos diziam quem somos em Deus, e que enquanto Ele for o centro da nossa vida, enquanto ele FOR a nossa vida nós teremos horizontes maiores, sonhos mais altos e faremos a mudança desse lugar.

Me frustrei, por ver o quão longe eu estou de encarnar essa realidade.

Voltei frustrada, achando que Deus iria falar comigo, sobre minhas duvidas, meus medos, meu futuro, minhas preocupações. Ele falou! Mas falou Dele, de Suas certezas, Suas convicções, Seu futuro pra mim, Sua Grandeza, Sua Majestade, Seu poder, Sua graça, Seu amor.

Me frustrei, por ver o quanto minhas ansiedades e preocupações me cegam diante de um Deus majestoso.
Me frustrei, por ver o quanto meus valores estão invertidos.
Me frustrei, por ver o quanto ainda sou insegura com relação a quem eu sou.
Me frustrei, por ter virado deus de mim mesma.

Me frustrei, por ver que Deus já não era suficiente.

Me frustrei, por ver que ainda que dentro da casa de Deus, eu posso estar com o coração longe Dele.

Me frustrei comigo mesma! Conheci minha humanidade, meu vazio, minha dependência, meu medo, minha fraqueza, minha limitação.

Conheci minha ignorância.
Podem falar o que for, mas depois de sentir isso, eu prefiro morrer do que viver sem Deus.
Não existe saída, não existe alternativa.

A grandeza de Deus me constrangeu de forma que não posso mais ficar longe, não consigo.
Não posso, Não quero!

Se quanto mais eu entendo minha humanidade eu me frustro diante da minha incapacidade e me rendo à grandeza Dele, quero me frustrar todos os dias.

Sarah Furtado 

Publicado em Minhas fases, Minhas frases.



E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.

2 Coríntios 12:9-10
E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.

2 Coríntios 12:9-10
E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.

2 Coríntios 12:9
E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.

2 Coríntios 12:9
E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.
Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.
  - 2 Coríntios 12:9-10



quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Voltemos à Bíblia

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Lembro-me de quando o papa, através do lançamento de um livro seu pouco antes de renunciar, afirmou a veracidade da declaração bíblica de que o nascimento virginal de Jesus Cristo “não é um mito, mas uma verdade”. Trata-se, realmente, de um fundamento da fé cristã e nada há de questionável nesta declaração sob este ponto-de-vista. O que me chamou atenção na época foi isso ter se tornado notícia.

Cristianismo, hoje, é só o pano de fundo cultural em que vivem muitos dos cristãos atuais, dado o distanciamento entre seu modo de vida e concepção de mundo e as bases da fé que deveriam conhecer. Sendo assim, não é de surpreender que, de vez em quando, alguns conceitos bíblicos e princípios da fé cristã tenham que ser resgatados e reafirmados pelo simples fato de que muitos cristãos simplesmente não se lembram mais, ou sequer ouviram falar alguma vez na vida, ou talvez nunca tenham acreditado realmente neles e, por isso, soem como novidade.


É claro que o simples fato do papa, ou outro líder qualquer, dizer alguma coisa biblicamente fundamentada não significa necessariamente que ele será ouvido, mas muitos cristãos, à medida que se distanciam da leitura da Bíblia, passaram a ter na figura de alguns representantes, as informações que poderiam ter em primeira mão se consultassem diretamente da fonte.

Importante é observar que esta prática, longe de ser exclusividade do mundo cristão católico, tem cada vez mais se disseminado entre todos os tipos de crentes, sejam de fé protestante, reformada, evangélica, pentecostal, neopenteca, gospel ou como preferirem ser rotulados hoje.

Vemos crentes, de um modo geral, se alimentando de uma maneira quase exclusiva do que ouvem ou leem de pregadores e palestrantes, conhecidos ou não, em blogs, textos ou vídeos Internet afora. O que acabam recebendo é uma mensagem mastigada, já digerida, fácil de assimilar, de preferência com o selo de aprovação, a "grife", de algum autor famoso, mas também filtrada e resumida de acordo com as preferências e prioridades daquele pregador.

Não raro, porém, o conteúdo que esses canais oferecem é um discurso meramente opinativo, enviesado ideologicamente e sem nenhum embasamento em referências nas Escrituras ou até mesmo contrário a elas. A ênfase na referência Bíblica, entretanto, tem sido classificada por alguns segmentos com o rótulo pejorativo de “fundamentalismo”, ou ainda pior, “bibliolatria”. "Não se deve ser tão rigoroso na aplicação da Bíblia pura em tempos onde temos acesso a tanta informação de ótima procedência", dizem em tom de falsa tolerância.


Relativizar a mensagem bíblica não é uma prática nova, o que muda são as táticas de como fazê-lo. Um pregador famoso chega a dizer que ele relativiza a interpretação da Bíblia a partir da revelação de Jesus Cristo. Ótimo. A não ser pelo fato que ele evita enfatizar de que o conhecimento que temos de Jesus nos é dado justamente pela Bíblia. É a Escritura que nos revela a centralidade histórica, espiritual e universal da figura de Jesus.

 
Abrir mão das Escrituras como referencial, é algo arriscado. É desta forma que o humanismo e outros ismos centrados na vontade do homem e não na pessoa de Jesus encontram portas para se infiltrar na Igreja de Cristo, roubando do autêntico Evangelho a esperança transformadora que só ele tem poder para oferecer. Sem sabermos o que é o verdadeiro Evangelho, podemos ficar à mercê de qualquer discurso que tente se passar por ele. E olha que são muitos.

Voltemos à Bíblia.


Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. 2 Timóteo 4:3-4


Hamilton Furtado
 
 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A crueza de uma propaganda "mal feita".

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A história de Jesus é reputada em alguns círculos mais céticos como um panfleto para vender uma ideia, ou uma imagem de um homem que sequer existiu, ou se se existiu, não seria nem sombra do que disseram dele.
Uma análise dos fatos porém, dificilmente sustenta este tipo de opinião. Vejamos.

Jesus nasceu judeu. Um povo periférico, de uma terra pequena, sem influência política, com um histórico de sujeição a outros povos e, naquela ocasião, submisso ao poderoso Império Romano.
Dentro dessa nação, nasce Jesus, pobre, de aparência pouco notável, em uma vila também ela, pobre e desprezível, de uma província deslocada do centro de interesses religiosos.

No final da história, Jesus morre. Crucificado.

A vergonha disso para a sociedade de então pode ser compreendida pela repugnância e rejeição que os muçulmanos até hoje têm da simples ideia de que Jesus teria sido crucificado. Para eles, nem mesmo a ideia da ressurreição posterior remediaria o dano moral de uma morte dessas.


E quando Jesus ressuscita, a notícia é dada por…mulheres!!! Algo tão digno de crédito para época quanto discurso de político em véspera de eleição. Realmente, se a história de Jesus fosse fabricada, ela seria tão diferente, tão "certinha", tão enobrecedora, tão digna, tão casada em suas diversas versões, que talvez convencesse muita gente…

A biografia de Jesus é recheada de "constrangimentos biográficos". Basta pegarmos um dos evangelhos para vermos alguns desses "incômodos" na história de Jesus: sua origem humilde, sua amizade com os "párias" da sociedade, a discrepância do seu perfil com aquele que a totalidade dos judeus da época esperavam para um "messias", a discordância aparente entre evangelhos, além de muitos outros aspectos improváveis que, no entanto estão lá.

O próprio discurso de Jesus, dizendo coisas com "eu sou humilde", "sem mim nada podeis fazeis", contraria o que se espera de um "homem sábio típico". Suas atitudes, igualmente, surpreendem aqueles que esperam a imagem esterotipada do "homem iluminado". As respostas que ele dava, não para os religiosos, mas para as pessoas comuns, tais como "estes são minha família", quando foram dizer a ele que sua mãe e irmãos o esperava, ou a aparente indiferença com que tratou a mulher siro-fenícia, não são exatamente as atitudes idealizadas dos homens "bonzinhos-fazedores-de-média" que vemos pelas religiões afora.

No entanto, tudo isso está lá, cruamente registrado. Não há nos evangelhos a menor evidência de que alguém tenha tentado "adoçar" a imagem de Jesus. Isso aconteceu, sim, porém muito depois de escritos os evangelhos. Nas obras renascentistas, que o pintam ora como um bebê, ora como um moribundo. Ou nas narrativas vitorianas, tentando transformá-lo em bom moço e trazê-lo para "dentro da respeitosa sociedade", como observa Philip Yancey. Ou pior ainda, mais recentemente, com a mistura misticoleba de idéias orientais ou humanistas, que tentam tranformar Jesus em um simples cara "bom", um vendedor de auto-ajuda, ou um garoto propaganda mais alinhavado com um escopo o maior possível de religiões.

Não, a história de Jesus tem "defeitos" demais para ter sido inventada.

(A propósito, para quem acha que a história completa de Jesus é muito fabulosa e preferir uma versão sem a 'pirotecnia' dos reis magos, estrelas, e outros eventos estrondosos, é só conferir na própria Bíblia. É a versão do evangelho de Marcos).

Hamilton Furtado

Publicado em Outramente